sexta-feira, 16 de maio de 2014

Poder para o povo!


                                                                                                  por Mário Medina

Nesta última quinta-feira, dia 15 de Maio, o Brasil foi tomado por manifestações e greves de diversas categorias. Trabalhadores, estudantes, sem-tetos e outros movimentos populares tomaram as ruas para reivindicar aumentos salariais e direitos, saúde, educação e moradia.
Ás vésperas da copa do mundo, diante do superfaturamento dos estádios, do colapso dos serviços públicos, das perdas salariais frente a inflação, do déficit habitacional e da especulação imobiliária, o povo retoma o espírito das jornadas de Junho e promete mais uma vez protagonizar uma onda de mobilizações de proporções nunca vistas.
O governo e o PT estão perdendo o controle das massas. Não há medidas de bondade que Dilma possa lançar mão para blindar o povo da revolta e assim livrar as ruas das grandes manifestações que estão a ponto de estourar outra vez.
A classe trabalhadora está cansada de tanto esperar, está perdendo o resto de confiança que tinha nos petistas. Os trabalhadores querem o novo, e lutarão por isso, ainda que não tenham clareza do que esse novo significa.
O papel da esquerda revolucionária é primordial para guinar as massas à esquerda e apontar para o rompimento com as ilusões constitucionalistas e eleitorais, para dirigir os trabalhadores na luta pelo poder e pelo socialismo.
As mobilizações de Junho passado não foram adiante nas tarefas revolucionárias justamente por carecerem de uma liderança, porque os grandes aparatos, as centrais sindicais, o MST e outros movimentos sociais de envergadura estão atrelados ao PT; abdicaram da luta e do papel revolucionário de outrora.
Na ausência da esquerda, a direita oportunista se revela, tenta tomar a frente e pinta a justa indignação social de um verde-amarelismo ufanista e infantil. É preciso derrubar esse governo entreguista, mas também é preciso varrer os fascistoides das ruas, acabar com as esperanças da tucanada. É preciso empunhar a bandeira vermelha da revolução social, mostrar que só a esquerda revolucionária tem uma saída à altura do que o Brasil necessita.
O momento é de luta acirrada com os poderosos, e, portanto, de unidade ferrenha da esquerda, dos partidos realmente progressistas e revolucionários, das centrais e dos sindicatos de luta, dos aparatos que não estão nas mãos da pelegada e da patronal.
O momento é de tomar as ruas e exigir a saída dos politiqueiros de plantão, com uma greve geral que sacuda esse país e acabe com a farra das empreiteiras e do governo, dos banqueiros e dos especuladores. O momento é de tamanha mobilização que o país pare e a Fifa retroceda, que a copa seja inviabilizada por massivas categorias em paralisação, e que o mundo veja o poder de luta da nossa classe trabalhadora e da nossa juventude.
Queremos um Brasil para os trabalhadores! Queremos salários dignos e qualidade de vida! Queremos o socialismo!
Fora Dilma!
Poder para o povo!


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Da ‘Loucura’ à luta antimanicomial


                                                           por Roberto Barros
“A história da nossa psiquiatria é a história de um processo de asilamento, é a história de um processo de medicalização social” essa sentença de Amarante ilustra em poucas linhas a real situação que este domínio de saber se encontra e a constante necessidade de reformulação do mesmo. A psiquiatria surge, com a chegada da Família Real ao Brasil, com o objetivo de colocar ordem na urbanização, disciplinando a sociedade e sendo, dessa forma, compatível ao desenvolvimento mercantil e as novas políticas do século XIX. É a partir do embasamento nos conceitos da psiquiatria européia, como degenerescência moral, organicidade e hereditariedade do fenômeno mental, que a psiquiatria brasileira intervém no comportamento considerado como desviante e inadequado às necessidades do acúmulo de capital, isolando-o e tratando-o no hospital psiquiátrico. Dessa forma o saber e o poder médicos, artificialmente, criam uma legitimidade de intervenção da classe dominante sobre os despossuídos através da nova especialidade - a psiquiatria - da nova instituição - o Hospital Psiquiátrico. O objeto dessa intervenção - o sofrimento mental - é reduzido, através de um artifício conceitual, a categoria de \"doença mental\", subtraindo-se toda a complexidade de fenômenos diversos, singulares e compreensíveis no contexto da existência humana. O Manicômio, dentre outros dispositivos disciplinares igualmente complexos, atravessou séculos até os nossos dias, conformando uma sociedade disciplinar com dispositivos disciplinares complementares num processo de legitimação da exclusão e de supremacia da razão. É incrível como a sociedade ocidental sempre procurou apartar e excluir aqueles que se encontram fora dos “padrões” impostos por um grupo específico de indivíduos que detém certos poderes. No passado isso se deu, por exemplo, com a forma como a igreja tratou os leprosos através do período das Cruzadas e como a mesma em associação com outras instituições posteriores trataram o louco em períodos subsequentes.
Foucault mostra que com o fim da lepra, reside nos loucos o estigma de desvio moral justificando a exclusão destes. Dessa forma, pode-se concluir que as pessoas acometidas pela loucura representam os excluídos da sociedade, que necessitam com urgência desaparecer da visibilidade das pessoas. Assim, hão de carregar sempre com eles este estigma – a marca da discriminação e exclusão.
De certa forma, o espectro que é observado atualmente é uma extensão do que ocorreu durante nossa história. Na Renascença, os loucos eram colocados em barcos e navios e carregados para cidades longe das suas em busca da razão. Havia partidas de navios especialmente para levar os loucos. Quando estes chegavam nas cidades, eram enxotados pelos moradores (característica da exclusão). No entanto, havia locais destinados a colocar os loucos, existindo, assim, a possibilidade de que os que fossem enxotados fossem aqueles provenientes de outras cidades, enquanto que os que ficavam eram oriundos delas.
Marinheiros atracavam em lugares comerciais e ali deixavam os loucos. Estes, quando acolhidos e mantidos pela cidade, eram levados para a prisão. Esse fato torna-se interessante e até alegórica, pois o fato do louco ser transportado de um espaço (local) para o outro através da água remete-se ao que Foucault chama de “prisioneiro da mais aberta das estradas”, ou seja, cria-se uma ambivalência pois o lugar onde o insano estava indo não era sua terra, mas a que ficou para trás também não o era. A terra do louco limita-se à distância de ambas: a que foi sua e a que nuca será. Assim, a forma como os poetas Renascentistas simbolizavam essa travessia ilustrava a aterritorialidade. Literalmente, o insano não tinha chão. Ou tinha água em volta de si, ou tinha grades. E, desde o século XIX, no entanto, estes tem os manicômios que funcionam em sua maioria como prisões, espaços de exclusão legitimado pelos dispositivos dos saberes que foram apropriados pelas práticas médicas. Percebe-se a existência dos manicômios por séculos à fio e frente a essa realidade surgem alguns movimentos que questionam essa ordem das coisas, procurando romper com a tradição manicomial brasileira, principalmente com o fim da Segunda Guerra Mundial. Todas essas experiências são locais, referidas a um ou outro serviço ou grupo e estão à margem das propostas e dos investimentos públicos efetivos. Há forte oposição exercida pelo setor privado que se expande e passa a controlar o aparelho de Estado também no campo da saúde.
Na década de 60, com a unificação dos institutos de pensões e de aposentadoria, é criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). O Estado passa a comprar serviços psiquiátricos do setor privado e concilia pressões sociais com o interesse de lucro por parte dos empresários. Dessa forma, cria-se uma “indústria para o enfrentamento da loucura. Mesmo diante dessa realidade os movimentos questionadores crescem e têm como principal inspiração a experiência de Trieste, na Itália, liderada por Franco Basaglia. Basaglia, em 1971, fecha os manicômios, acabando com a violência dos tratamentos e põe fim no aparelho da instituição psiquiátrica tradicional. Basaglia demonstra que é possível a constituição de uma nova forma de organização da atenção que ofereça e produza cuidados, ao mesmo tempo que produza novas formas de sociabilidade e de subjetividade para aqueles que necessitam da assistência psiquiátrica.
Em 13 de maio de 1978 foi instituída a Lei 180, de autoria de Basaglia, e incorporada à lei italiana da Reforma Sanitária, que não só proíbe a recuperação dos velhos manicômios e a construção de novos, como também reorganiza os recursos para a rede de cuidados psiquiátricos, restitui a cidadania e os direitos sociais aos doentes e garante o direito ao tratamento psiquiátrico qualificado.
Esse grande passo dado pela Itália influenciou o Brasil, fazendo ressurgir diversas discussões que tratavam da desinstitucionalização do portador de sofrimento mental, da humanização do tratamento a essas pessoas, com o objetivo de promover a reinserção social. Na década de 70 são registradas várias denúncias quanto à política brasileira de saúde mental em relação à política privatizante da assistência psiquiátrica por parte da previdência social, quanto às condições (públicas e privadas) de atendimento psiquiátrico à população.
No Rio de Janeiro, em 1978, eclode o movimento dos trabalhadores da Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que faz denúncias sobre as condições de quatro hospitais psiquiátricos da DINSAM e coloca em xeque a política psiquiátrica exercida no país. É nesse contexto, no fim da década de 70, que surge a questão da reforma psiquiátrica no Brasil. Pequenos núcleos estaduais, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais constituem o Movimento de Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). A questão psiquiátrica é colocada em pauta:“... tais movimentos fazem ver à sociedade como os loucos representam a radicalidade da opressão e da violência imposta pelo estado autoritário
A violência das instituições psiquiátricas, dessa forma, é entendida como parte de uma violência maior, cometida contra trabalhadores, presos políticos e, portanto, contra todos os cidadãos. O movimento de reforma sanitária tem influência constitutiva no movimento de reforma psiquiátrica. Nos primeiros anos da década de 80 os dois movimentos se unem, ocupando os espaços públicos de po
der e de tomada de decisão como forma de introduzir mudanças no sistema de saúde.
“ A Proposta da Reforma Sanitária Brasileira representa, por um lado, a indignação contra as precárias condições de saúde, o descaso acumulado, a mercantilização do setor, a incompetência e o atraso e, por outro lado, a possibilidade da existência de uma viabilidade técnica e uma possibilidade política de enfrentar o problema.Somente no final do século XX é que a militância por serviços humanizados consegui às primeiras implantações de Centros de Atenção Psicossocial os CAPS .
Foi em 2001 que a Lei Paulo Delgado foi sancionada no país. A Lei redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, mas não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios.
As condições da saúde mental no Brasil evoluíram, porém a Luta Antimanicomial não parou. Ainda acontecem manifestações em todo o país no dia 18 de maio, para que se mantenha vivo o cuidado com os doentes, e para que fique claro que eles não devem ser excluídos da sociedade e maltratados como eram antigamente, mas sim orientados e acompanhados para que possam encontrar seu lugar no mundo. O dia 18 de maio também se tornou Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

15 de maio de 1948 - dia da NAKBA - a tragédia palestina. O desterro de quase um milhão de pessoas sob o olhar indiferente e a cumplicidade da Comunidade Internacional


Beth Monteiro
Para os palestinos, a ocupação israelense é chamada de Nakba  - A TRAGÉDIA PALESTINA- que aconteceu em 1948 e teve seu ápice no dia 15 de maio daquele ano.
A ironia trágica desta história é quando se percebe que as vítimas do Holocausto  se tornaram os algozes que promoveram - e continuam a promover - a Nakba, ou seja,  a expulsão sistemática e violenta de um povo do seu próprio país de  origem.
                Mais do que o assassinato de cerca de 15 mil pessoas em massacres, a destruição de 521 vilas palestinas e o deslocamento de cerca de 800 mil pessoas (números oficiais da ONU relativos apenas a 1948), a Nakba foi uma limpeza étnica, que, de acordo com as Nações Unidas, é definida pela transferência massiva de uma população de forma sistemática, coerciva e deliberada, com o objetivo de alterar a composição demográfica de uma região, e, particularmente, quando há por trás uma ideologia que justifique a dominação de um grupo sobre o outro.
                Desde 1948, o sionismo, com a conivência e apoio incondicional do imperialismo, usa essa política para impedir os palestinos de exercerem seu direito de autodeterminação. Israel expulsa os palestinos de suas terras e impede seu retorno com o propósito de colonizar e estabelecer uma maioria judia no território. A Nakba segue ocorrendo na chamada Terra Santa. A política de expulsão sistemática da população palestina continua na ordem do dia.
                Além do bloqueio à Faixa de Gaza, que  Israel  transformou  no maior campo de concentração do mundo, os palestinos na Cisjordânia  e Jerusalém Oriental convivem diariamente com o confisco de suas  terras, a demolição de  suas casas,  com o controle sobre a água, estradas e fronteiras e o estabelecimento de checkpoints (bloqueios militares) em todo o território, além da  prática hedionda do  APARTHEID  que foi institucionalizado  com  a construção do muro da segregação na Cisjordânia, território palestino ocupado ilegalmente por Israel , que começou a ser erguido em 2002, e tem cerca de nove metros  de altura e  700 km de  comprimento. (quase a mesma  distância entre o Rio de Janeiro e Luziânia em Goiás)

 Os palestinos foram  as  primeiras vítimas do terrorismo no Oriente Médio
. Grupos de judeus como  Haganan e Stern praticavam crimes
 horrendos, obrigando populações inteiras a abandonarem
suas casas e fugirem, em desesperodos
                Este muro da segregação não tem o objetivo de segurança, como alega  Israel,  mas de reforçar a colonização. Pelo caminho, vão-se demolindo casas, destruindo infraestruturas, sistemas de irrigação, separando famílias, impedindo o crescimento natural e saudável de uma sociedade já  traumatizada por uma ocupação violenta.
                Mas os palestinos continuam firmes em sua resistência às ambições racistas do sionismo/imperialismo. Uma luta que não tem data para acabar. Mas eles  sabem que o caminho é longo, e por isso é preciso construir uma base sólida de resistência,  pautada na total independência  do jogo político capitalista e centrada na construção de uma Palestina laica,  independente, autônoma e Socialista em um só Estado onde todas as etnias e religiões possam conviver em paz e que, sobretudo, mantenha e amplie o caráter internacionalista desta luta.
A luta dos palestinos é a luta de todos que lutamos contra a opressão capitalista, agravada  exponencialmente em sua fase imperialista cada vez mais predatória, desumana e cruel. A este povo espoliado foi destinada uma das mais  terríveis experiências humana: ficar cara a cara com
 monstro sionista (Israel) que encarna  toda a crueldade e capacidade humana para destruir, humilhar, despojar, roubar, matar, torturar e encarcerar todos os que resistem a seu poder desmedido , cujos crimes ficam impunes por conta do apoio que recebe de praticamente todos os países que o reconhecem e com ele mantém relações políticas, comerciais e culturais.


domingo, 11 de maio de 2014

PROLETARIADO DA UCRÂNIA EM BUSCA DE UMA DIREÇÃO



                                                                                  por Beth Monteiro
Em 1871, a Comuna de Paris passou para a história como símbolo da capacidade do proletariado organizado para forjar transformações radicais na sociedade e uma afirmação revolucionária da autonomia de uma cidade. Os trabalhadores derrotaram as forças legalistas, obrigando os membros do governo a abandonarem precipitadamente a cidade. A Comuna de Paris é considerada a primeira república proletária da história.
Na construção da Comuna, que durou 40 dias, os trabalhadores foram a principal força e, muitos deles eram filiados à Primeira Internacional dos Trabalhadores. Não obstante, entre as massas, havia confusão política. Seu esmagamento, pelas forças armadas de Thiers, revestiu-se de extrema crueldade, deixando um rastro sangrento de 20 mil mortos.
A República Popular de Donetsk , na Ucrânia, não tem em sua direção, um grupo, ou Partido formado por Internacionalistas marxistas, mas gente do povo, trabalhadores, setores da classe média e até diretamente burgueses ou pró-burgueses. Mas, sendo esmagada ou não, certamente deixará para a história uma das mais candentes experiências de autodeterminação dos trabalhadores. Suas ilusões e confusão políticas não podem servir de motivo para que a mesma seja desprezada pela Esquerda marxista .
Para entender os militantes rebeldes do Leste e Sul da Ucrânia e suas ilusões, devemos recordar que em janeiro de 1905, os trabalhadores russos, liderados pelo padre Gapon, saíram na manhã do que ficou conhecido como o Domingo Sangrento para pleitear do czar, o reconhecimento de que suas reivindicações eram justas. Entretanto, as lideranças revolucionárias marxistas não os desprezaram por suas ilusões toscas no Czar e por seguirem um religioso que os levou a acreditarem que seriam recebido pelo Czar Nicolau II da Rússia, no Palácio de Inverno. A manifestação foi reprimida pelos soldados do Czar, que dispararam sobre a multidão, matando 200 pessoas e ferindo 800.
Olhando comentários e postagens em redes sociais de pessoas desta região, fico impressionada com o fato de que a insurgência no sul -oriental da Ucrânia é, basicamente, um movimento de operários. Na cidade de Yenakievo, e sem dúvida , em outros lugares, MINEIROS E METALÚRGICOS ADERIRAM AO MOVIMENTO EM MASSA.
Os militantes tiveram muitas ilusões nos governos e oligarcas de Kiev, mas isso não os impediu de queimarem os bancos de um dos piores deles, Kolomoysky. E agora que Putin retirou até mesmo seu apoio retórico para a sua causa, os militantes estão perdendo suas ilusões no Estado russo também. Quando confrontados com as perspectivas econômicas intoleráveis, e submetido a ameaças físicas, os TRABALHADORES OLHAM COMO LIDERANÇA PARA QUALQUER UM QUE PARECE PREPARADO PARA LUTAR e tem algumas ideias sobre como a luta deve prosseguir.
O IDEAL É QUE ESSES LÍDERES SEJAM EXPERIMENTADOS MARXISTAS REVOLUCIONÁRIOS, mas a maior parte deles está longe disso. Não vamos, no entanto, descartar o potencial da classe trabalhadora como um agente de mudança revolucionária baseados em que, por vezes, seus membros estão sob a influência de aventureiros, estalinistas, nacionalistas ou da direita. Temos que expressar nossa confiança na capacidade dos trabalhadores para aprenderem com a sua experiência e construírem uma direção voltada para a defesa de seus interesses de classe, e que tenham coragem e princípios para conduzir sua luta.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tá tudo errado!!!

A ONDA DE JUSTIÇAMENTO É FRUTO DA IMPUNIDADE DE SEUS INCENTIVADORES E DA INDIFERENÇA DO PODER PÚBLICO


                                                        por Beth Monteiro


Quando pastores incentivam seus fieis a atacarem e depredarem templos de cultos afro-brasileiros, estão praticando crimes de intolerância religiosa e danos ao patrimônio. Mas se fossem gravados vídeos mostrando líderes sindicais ou militantes de movimentos sociais incentivando ataques ao “sagrado” patrimônio das empresas ou bens públicos, certamente estes seriam presos, processados e condenados.

Entretanto, apresentadores de TV, como Raquel Sheherazade, incentivam a violência ao vivo e a cores para milhões de pessoas cuja capacidade de raciocínio é tão pobre quanto suas condições econômicas e sociais, impunemente. E por isso elegem estes apresentadores como seus mentores e líderes, assim como fazem com a horda de pastores hipócritas, inconsequentes, vis e ambiciosos.

A justiça ignora a execução pública de pessoas, fato que está se transformando em uma espécie de epidemia, como se isso não fosse da alçada dela uma vez que se trata de caso de polícia, que por sua vez lava as mãos porque não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo e nem prever acontecimentos.

Entretanto à polícia civil e à justiça cabe o dever de investigar esses crimes e punir os culpados. O Ministério Público já deveria ter iniciado uma ação contra a rede de TV SBT e a apresentadora Sheherazade e outros que incentivam a violência, principalmente os que pregam impunemente que “bandido bom é bandido morto”, deixando claro para as mentes infantilizadas que se for bandido, ou se acharem que são bandidos, eles estão livres assassiná-los.

A semente do fascismo foi plantada nas mentes das pessoas desde a mais tenra idade, quando o poder estabelecido deixou de investir em educação de qualidade, quando as escolas, cursos e universidades foram obrigadas a abandonarem a formação humanista, a prática do raciocínio, dos princípios e da ética. Ou seja, quando o desenvolvimento intelectual foi substituído por um ensino que cria robôs a serem devorados pelo mercado, mais como consumidor do que como produtor, incapacitando-os para a vida em sociedade, pois criam consumidores sem criarem as oportunidades que os permitam consumir e satisfazer suas necessidades básicas e também as artificialmente criadas.

domingo, 4 de maio de 2014

Panfleto de primeiro de Maio da RPR


2 DE MAIO DE 2014 EM ODESSA: O DIA QUE VIVERÁ NA INFÂMIA

Moradores de Odessa levam flores na entrada do prédio
 onde morreram dezenas de ativistas pró-russos

Nazifascistas da Ucrânia, apoiados pelos  Estados Unidos e União Europeia, sitiaram  um prédio de sindicatos e colocaram fogo , queimando militantes  vivos que lutavam contra a política do FMI imposta pelo acordo com a União Europeia, e  se divertiram com o fato nas redes sociais.

E pensar que  há  73 anos, os EUA entraram na  Segunda Guerra Mundial, aliando-se à ex União Soviética , China, Grã-Bretanha e outros países, que lutavam contra o expansionismo de Hitler, para ajudá-los a combater o nazismo; e que o então presidente dos EUA,  Roosevelt, nomeou o ataque  do Japão à base naval americana, em Pearl Harbour, no Havaí, em 1941, como  “dia que viverá na infâmia”.

E O QUE ELES ESTÃO FAZENDO, AGORA, NA UCRÂNIA É O QUÊ? Talvez algo que supere  a nossa capacidade de assimilar até que ponto o imperialismo  dos EUA e aliados pode chegar, para impor sua agenda de dominação total do mundo. E se para isso usam os mesmo métodos  de Hitler, então qual é a  diferença entre o imperialismo “democrático”, tão  embelezado pela esquerda sem noção, e o nazifascismo de Hitler?

Dirão os mais afoitos defensores do imperialismo “democrático”  que devemos, em primeiro lugar, apoiar os que lutam  contra o imperialismo “ditatorial”  da Rússia, que a luta dos trabalhadores não é  contra o fascismo, mas contra o imperialismo russo que está oprimindo os povos de todo o mundo, impondo planos de arrocho, desemprego e miséria  na Ucrânia e em outros países, e que tem desencadeado guerras   que já mataram mais de 1 milhão de pessoas nas últimas  duas décadas, quando  qualquer estudante da sexta série do ensino fundamental sabe que quem faz isso são os Estados Unidos.

Pior ainda: quando não têm mais como negar que  são os nazis seguidores de Stefan Banderas, o carrasco nazista  que assassinou com requintes de crueldade milhares de ucranianos, nos anos de 1940, que estão dando as cartas na Ucrânia, que ocupam postos chaves da área da  segurança e no governo golpista de Kiev,  continuarão a dizer que não é nada disso e que o Svodoba (partido nazifascista  ucraniano) já fez autocrítica e não  quer mais perseguir judeus.Não convencem nem as crianças da sexta série, mas conseguem convencer suas bases que parecem hipnotizadas e passaram a ver o mundo ao contrário, embarcado na estranha realidade criada pelos seus dirigentes.

Para os trabalhadores, principalmente o operariado da Ucrânia, que vivem  no Sul e no Leste do país, onde estão as principais bases econômicas do país com suas fábricas e lavouras, o que está em jogo é  a resistência aos  planos  de ajustes draconianos do FMI que prevê a demissão de milhares de funcionários público, o reajuste de mais de 50%  nos preços da energia, o sucateamento da indústria do país, a redução salarial e o desemprego em massa. Eles lutam para não se tornarem escravos da União Europeia que está de olho na mão de obra barata e  especializada da Ucrânia para manter seus lucros e, por tabela, atacar ainda mais os direitos e conquistas dos trabalhadores dos países da União Europeia. Além disso, há o interesse geopolítico dos Estados Unidos que  joga sujo para implantar suas bases militares nas fronteiras da Rússia para ameaçar, chantagear e escravizar aquele país.

No Brasil, vivemos sob  um  governo de entreguistas, covardes e submissos,  com grande parte da população transformada em escravos do império norte-americano  e sem praticamente nenhum direito de reclamar. Qualquer derrota na agenda demoníaca de dominação do imperialismo, seja na Ucrânia ou na Grécia, é uma vitória para nós, trabalhadores brasileiros e de todo o mundo. É isso que devemos ter em mente para determinar de  que lado devemos ficar neste enfrentamento:do nosso lado, claro.


Beth Monteiro